Noite fria, vento congelante. Eu estava lá, com minhas botas surradas, aquelas que eu insisto em andar quilometros e quilometros como se fossem tênis de caminhada, meus jeans e meu colete. Eu estava muito sóbria pra ter qualquer tipo de atitude que deixasse ele tonto ou falar qualquer baboseira da qual ele fosse rir sempre que lembrasse. Se sentou ao meu lado e ficou em silêncio, nós, sóbrios ? só poderia dar nisso mesmo.
Eu fiquei pensando no que poderia acontecer, imaginei todos os tipos de chiliques que eu poderia ter e ele me salvar e a gente fazer daquele silencio desagradável uma cena de filme. Pensei tanto que acabei ficando distante, e ele ficou me encarando com aquele olhar de "Ainda está ai?". Eu voltei rapidamente toda embarassada, falei um "oi" e expliquei por onde minha cabeça andava. Eu o senti se aproximando e colocando meu cabelo atrás da orelha, o senti me encarando e tentando me enviar sinais. Então falei com uma voz rouca e brusca "o que foi? porque tanto me olha?" E ele engoliu a seco, mexeu a boca mas dali palavras não sairam, desviou o olhar, procurou respostas no chão, ou em qualquer outdoor idiota ali perto. Eu levantei, cheguei perto do muro onde estávamos sentados, olhei no fundo dos olhos dele e falei "eu estou esperando uma resposta", continuei o encarando, me senti bruta demais, grossa demais, atitude demais pra ter um final feliz. Ele estendeu a mão, passou a mão em minha nuca, massageando meus cabelos, me puxou pra perto e disse "eu te olho porque eu sei que..." silêncio de novo. Comecei a ficar inquieta, coloquei minhas mãos sobre a mão dele, a que estava apoiada no muro, olhei para os olhos dele, aqueles olhos castanhos, vi milhares de desenhos ali, mas de repente eu caí em mim, soltei a mão dele, tirei a outra da minha nuca e falei rispidamente segurando uma lágrima insistente no meu olho esquerdo "não precisa continuar, ou melhor, não tente continuar, você não vai lutar pelo o que quer mesmo, nós vamos sempre estar esperando um pelo outro, eu to cansada disso, to cansada de tudo isso" Virei e saí andando. Contei meus passos, esperei ouvir os seus passos tentando alcançar os meus, imaginei você falando tudo que tava preso na sua garganta por algum medo imbecil de se prender a mim, mas nada disso aconteceu. Olhei de canto para trás e vi você sentado no muro, mudo, com os olhos marejados, parecia estar decepcionado mas acredite, eu estava muito mais.
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